Notícia
15/04/2013 11:07
PLANET CANOE 2013 - Bolt sobre as àguas
Perfil - Ed McKeever, o homem mais rápido sobre as águas

Planet Canoe 2013 Magazine (FIC)
Tradução Iran Schleder e Alina Arroyo (CBCa)

Durante o dia, o homem mais rápido no caiaque, durante a noite, um singelo contador. Ed McKeever, ganhador do primeiro título olímpico no caiaque simples masculino de 200m, conversa com a Planet Canoe sobre a vida na raia rápida.
 
Campeão olímpico nos 200 metros individual, Ed McKeever começou o treinamento novamente em janeiro com o objetivo de recuperar sua forma em tempo para o Campeonato Mundial de Canoagem Velocidade 2013 em Duisburg. Ainda, entretanto, ele diz que ‘é muito cedo’ para decidir se irá ou não a treinar todo o ciclo até 2016, visando os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro.
 
Falando para a Planet Canoe brevemente antes de embarcar para os Estados Unidos em lua de mel atrasada com sua esposa, Anya, McKeever disse que está procurando boas férias para depois recomeçar seu regime e voltar a ficar concentrado nos treinamentos.
 
“Eu definitivamente tenho alguns anos pela frente, mas quero ter certeza de que ainda estou no mesmo nível, para depois disso decidir se irei ou não ao Rio. Neste momento eu não vejo razões para não querer fazê-lo”.
 
Desde que ganhou o ouro no K1 200m em EtonDorney, a vida de McKeever tem sido agitada com incontáveis jantares, eventos com patrocinadores, aparições na mídia e muitos outros compromissos. Isso sem mencionar os exames de contabilidade e o casamento.
 
“Tem sido bem divertido”, ele admite. “Não é todo mundo que tem essa fantástica oportunidade e eu estou muito grato por isso. Eu tendo estado muito ocupado desde os Jogos, mas isto tem sido bem agradável. Eu não sou muito reconhecido na rua, mas acho que é porque eu não costumo sair carregando meus equipamentos de canoagem”.
 
Com 28 anos de idade, esteve no Clube Real de Canoagem no sudoeste de Londres para entregar o Prêmio Anual para seus canoístas juniores. McKeever treinou lá por muitos anos enquanto estudava contabilidade na Universidade Kingston que fica perto. A premiação no Clube tomou menos de 30 minutos, mas dar autógrafos toma mais que duas horas.
 
“Foi marcante”, reflete McKeever, “O efeito que a medalha tem sobre as pessoas é realmente único. Assim que você mostra a medalha, particularmente as crianças, seus rostos se iluminam. Parece que faz todos felizes”.

 
Para um campeão olímpico, McKeever parece um pouco perplexo pela atenção que gera em torno dele. Como o canoísta mais rápido do mundo, ele tem sido freqüentemente comparado ao velocista jamaicano Usain Bolt. Contudo, os dois homens são bem diferentes. Bolt é um showman e exibicionista que gosta de ser o centro do palco. McKeever, não entanto, é mais singelo, com um jeito mais realista, evidenciado talvez pela maneira que ele começa cada dia – caminhada com seu labrador perto da casa em Buckinghamshire – e por seu plano de carreira de longo prazo na contabilidade.
 
“Decidi estudar contabilidade e finanças na universidade e esta é a área onde me vejo trabalhando assim que a Canoagem acabar. É uma boa qualificação sólida para se ter. No esporte você nunca sabe quão bem sucedido você será. Então, é bom ter algo preparado para depois. Canoagem é um esporte minoritário, por isso, você nunca irá ganhar muito dinheiro dele. Certamente, há mais interesse em mim depois de Londres e é bom ter isto, mas não fará muita diferença”.
 
McKeever admite não tem levado os treinamentos muito a sério desde que os Jogos Olímpicos terminaram, mas fala com entusiasmo sobre o recomeço de seu regime de treinos. Será uma vida difícil e um pouco austera, com uma média diária que consistirá em quatro sessões de treinos, sendo dois desses na água e um na academia, e uma corrida para terminar.
 
McKeever tem praticado Canoagem por 16 anos, começando casualmente com 12 anos de idade num verão em Bradford-on-Avon, uma pequena cidade em Wiltshire, sudoeste da Inglaterra. Começando em barcos alugados, ele progrediu até embarcações de corrida e conquistou sua primeira Sprint Regatta aos 15 anos.
 
“Quando criança isto era uma boa opção para passar o verão. Eu fui ao clube porque um amigo estava lá e eu curti muito. No entanto, eu não estava tão entusiasmado assim no inverno”, ri.
 
O treinamento é focado em torno da elite da Canoagem Britânica sediada em Bisham Abbey no Tâmisa. A equipe de treinamento de 200 metros foi formada logo após os Jogos de Pequim e comandada por Alex Nikonorov, ucraniano que desenvolveu exitosos programas de Canoagem em sua terra natal e Espanha, antes de se mudar para o Reino Unido no ano 2000.
 
McKeever credita a Nikonorov muito de seu sucesso. Treinador do time nacional que possui doutorado em biomecânica, lidera uma pequena equipe de canoístas em volta de McKeever. Dentro do grupo estão também, a dupla de Liam Heath and Jonny Schofield, medalhistas de bronze no K2, e Ed Cox e Andy Daniels completando o quinteto de canoístas.
 
O próprio Nikonorov, entretanto, aponta o gerenciamento do Time de Canoagem da Grã-Bretanha como instrumento fundamental no sucesso da equipe de 200m em Londres. A decisão técnica de separar os canoístas de 200m do resto da equipe e dar a eles recursos e treinamentos para focar na nova e menor distância olímpica, deu aos canoístas bretões uma vantagem sobre os rivais que ele acredita, não conseguiram ainda a fórmula para o sucesso.
 
McKeever concorda com este ponto de vista, descrevendo a decisão de estabelecer treinamento distinto para os 200 metros como ‘o movimento absolutamente certo’.
 
“Foi muito importante. Tem sido bom possuir nosso próprio sistema porque de alguma forma isto faz você se sentir especial e cria um senso de orgulho no que estamos fazendo, a sensação de que há esse foco em você e de que estamos sendo capazes de formar um grupo de treinamento especial dentro de uma unidade muito sólida”.
 
McKeever sabe, contudo, que não precisa dos outros para corrigir as imperfeições de seus treinamentos ou provas.
 
“Geralmente, eu sou mais crítico com meu desempenho do que os outros. Sempre há um monte de coisas para se trabalhar. Você nunca terá uma prova perfeita, mas isso não vai me impedir de continuar procurando a perfeição. Até mesmo depois de Londres eu pude ver coisas que podem me ajudar futuramente, coisa aqui e lá que posso fazer para me tornar mais rápido. Londres por si só foi bom, a prova aconteceu como planejado, mas as margens são pequenas aqui e você está sempre procurando conseguir essa margem”.
 
A abordagem que McKeever faz do treinamento é, desapontando qualquer um que procure respostas do quê o faz ser tão rápido, muito convencional. Ele monitora de perto seu próprio desempenho, recebe conselhos de um nutricionista, ouve atentamente seu treinador e observa de perto o sucesso de outros atletas para ver o que pode aprender deles. O real segredo, acredita McKeever, é tentar manter-se focado sem muitas futilidades.
 
“Eu não tenho nenhum hábito ruim. Eu nunca tive queda por doces, mas sim que gosto de um café da manhã inglês completo (“English breakfast”). Ele não é tão ruim como parece, é basicamente proteína e se é propriamente cozido é muito bom para você”.
 
“Eu também tenho tentado não entrar em rotinas supersticiosas. Eu conheço alguns atletas que foram absorvidos por seus padrões ou conjunto de rotinas, mas realmente, nunca fui um deles. Eu recebo as coisas como elas chegam. Fico feliz de conversar com as pessoas antes de minhas provas, mas muitas vezes coloco meus fones de ouvido e apenas escuto música, nada em particular, apenas músicas aleatórias”.
 
“Assim que você entra no bote antes da sua prova, você tem uns 20 minutos em que fica só com você mesmo. É aí que eu gosto de me isolar. Você está isolado de todos e apenas tem que colocar sua cabeça no lugar certo”
 
Nos 200 metros, diferente dos 1.000 metros, o espaço para os erros quase não existe. Nikonorov diz que as provas de 200m não são necessariamente ganhas na largada, mas certamente podem ser perdidas aí, fato do que McKeever está muito ciente.
 
“É como tudo na vida, se você o estraga pode facilmente perder metade do seu comprimento e embora possa ir bem no restante da prova, nunca conseguir recuperar isso que perdeu. Eu sou muito ciente de que você não tem margem para o erro, ritmo é muito menos importante do que nas provas de 1.000m, você não pode segurar ou monitorar seu ritmo nos 200m, é simplesmente ir a todo vapor todo o caminho”.
 
McKeever venceu o Campeonato Mundial em 2010, mas perdeu para seu rival polonês Piotr Siemionowski em 2011. Observadores especularam que a perdida do seu título mundial deu a ele um renovado senso de determinação, mas McKeever não tem tanta certeza e é bastante mais prático sobre sua derrota.
 
“Eu encarei o ano dos Jogos quase da mesma forma do que eu fiz em 2011. Eu sou muito metódico no que eu faço, eu tenho que achar o equilíbrio certo e as coisas funcionam para mim. Obviamente alguns dirão que não vencer em 2011 me impulsionou durante todo o inverno, mas eu não acho isso. Isso foi apenas uma das coisas”.
 
“Na realidade, nos trabalhamos há muito tempo no que funcionaria para mim na preparação para provas de maior nível e é isso o que eu faço. Neste nível você nunca irá vencer todas as provas das que você participa. Tudo o que você pode fazer é ter certeza de que você está focado para tirar o máximo aproveitamento dos treinamentos, alcançando o equilíbrio certo ali e na sua vida. Eu tenho me esforçado para fazer isso”.
 
 
 
Fonte: Planet Canoe 2013, páginas 8, 9 e 10.








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