Notícia
12/07/2013 09:07
PLANET CANOE 2013 – Entrevistas Canoagem Velocidade
Confira as entrevistas com Alana Nicholls (AUS) e Adam Van Koeverden (CAN)
Texto: Revista Planet Canoe (ICF)
Tradução: Iran Schleder (CBCa)
Revisão: Alina Arroyo (CBCa)

ALANA NICHOLLS
Em 2012 você conseguiu seu objetivo que era competir nos Jogos Olímpicos. Qual foi seu momento destaque?
Eu nunca irei esquecer o momento que remei em Eton Dorney pela primeira vez, tentando processar o fato que aquilo eram as Olimpíadas e eu fazia parte daquilo. Londres me deu muito mais do que eu esperava e realmente foi especial. Quanto mais eu reflito sobre 2012, o caminho para Londres, a competição, a comemoração e tudo mais que veio com o processo olímpico que me deu a oportunidade de competir em um evento tão poderoso como este.
 
Deve ter havido expectativas suas em relação aos Jogos. Você ficou feliz com seu desempenho ou existe algo que poderia ter feito diferente?
Meu objetivo em qualquer competição é estar preparada e organizada o quanto eu puder para correr com todo meu potencial. Eu estava preparada, estava organizada, mas não corri com todo meu potencial. Eu sai das Olimpíadas sentindo-me desapontada e frustrada com a prova que fiz.
 
Você terminou no topo da categoria caiaque feminino nas etapas da Copa do Mundo FIC. O que você mais gostou nas etapas?
As etapas da Copa do Mundo são realmente importantes práticas para o evento principal no fim do ano. Como australiana, esta é a única oportunidade para eu competir internacionalmente antes do Campeonato Mundial ou dos Jogos Olímpicos.

 
Qual foi sua etapa favorita na Copa do Mundo?
Eu acho que foi Duisburg minha etapa favorita em 2012. Foi como um todo uma competição justa e onde tive alguns bons resultados.
 
Como atleta que sempre está na estrada, quais itens que você nunca sai de casa sem?
Há muitas coisas para lembrar e levar com a gente. Eu nunca saio de casa sem meus parceiros de treinamento e alguns camaradas olímpicos (Jesse Phillips e Steve Bird), Illy Coffee, meu laptop e um HD cheio de filmes para nos entreter durante as sessões (isso quando não estamos tomando café, é claro).
 
Depois de uma grande performance nesta temporada, como você planeja manter este momento para voltar ainda mais forte no próximo ano?
As Olimpíadas sempre serão o cume para o esporte, e com o desapontamento em Londres é importante ter certeza que meu corpo e minha cabeça estejam no lugar certo para lidar com o próximo ciclo de quatro anos. Agora, estou focando no tratamento de minha lesão e tentando meu melhor para ser paciente (o que é uma coisa em que não sou muito boa!).
 
Em 2010 você teve uma parada no esporte para contemplar seu futuro. O que fez você sentir necessidade de dar um passo pra trás naquele momento?
Como muitos australianos, eu cresci competindo num Salva-Vidas e nunca tinha tentado a canoagem até 2008. Eu nunca tinha sido exposta ao nível de treinamento e compromisso requerido para dar tudo de mim e o resultado disso não estava me deixando feliz.
 
O que lhe fez decidir retornar em 2011 e dai ter esse crescimento em seu desempenho em 2012?
Quando eu tomei a decisão de me afastar do esporte eu não tinha intenção de retornar. Um dia eu estava vendo os resultados de uma etapa da Copa do Mundo em 2010, o qual me fez sentir-me realmente enfurecida e triste por eu não estar lá. Decidi conversar com meu treinador, Ramon Anderson, sobre meu retorno ao K1 200m e assim comecei a treinar novamente em agosto de 2010.
 
O que você fez durante o ano em que você não estava remando?
Eu me afastei de todas as competições e não remei nem no meu ski e nem no caiaque por um ano. Fui ocasionalmente correr, ou fui pro boxe apenas para me manter em forma, mas não tive intenção de retornar ao esporte. Eu me retirei completamente.
 
São quatro anos para o Rio, quais são os objetivos que programou para você?
Agora, estou focada para ter de tudo um pouco. Tenho algumas lesões que me frustram e que preciso cuidar, assim posso focar todas minhas atenções em me tornar a melhor atleta que posso ser. Ainda tenho muito o que melhorar e quero ter certeza que irei ao Rio mais forte do que nunca.

 
ADAM VAN KOEVERSEN
Você esteve envolvido com o primeiro lugar na categoria caiaque masculino das etapas da Copa do Mundo FIC 2012. Você ficou feliz com seu desempenho nesta temporada?
Estou muito feliz com minha temporada. Tive muitas boas provas – foi um incrível verão de provas.
 
Depois de ganhar a medalha de prata nos 1000m em Londres, o desapontamento de perder a prova de 500m nos Jogos Olímpicos lhe fez perder um pouco o ritmo?
Eu realmente não concordo com a decisão de retirar os 500m. Sou um grande fã dos 200m, mas não acho que eles deveriam ter sido trocados pelos 500m. Acho que há espaço para os dois eventos se nós tentarmos avançar com a canoagem em nível olímpico. Como muitos atletas, eu tenho ambição, assim não acredito em ter não como resposta, e me sinto mais motivado em fazer algo quando me dizem que não é possível. Acho que a canoagem merece uma apresentação completa nas Olimpíadas e estou disposto a lutar por isso.
 
Você parece prosperar frente aos desafios, então se você tiver que dobrar-se nas próximas Olimpíadas (K2 1000m) ou fazer o K1 200m, com qual você competiria?
Eu não iria tentar competir nos 200 e 1000 metros, o treinamento é muito diferente. Se eu tivesse que escolher, seguiria os passos de Max Hoff, Murray Stewart e René Poulsen e miraria a combinação para o K4 1000m.
 
Você tem estado no topo do esporte por mais de dez anos. Como você se mantem motivado ano após ano?
Eu continuo amando a canoagem. Não é difícil estar motivado quando você faz o que gosta todo dia. Eu tive uma boa parada desde Londres, então estou mais motivado do que nunca.
 
Você está envolvido em muitos projetos que ajudam os desfavorecidos por meio do esporte. Quais são as causas de sua atenção com isso e por que?
Nós somos atletas muito afortunados – nós temos recebido muito por ter acesso a um grande esporte. Eu acredito que ter acesso ao esporte e competir, ter lições para a vida que vêm junto com essas oportunidades, não um privilégio, é um direito fundamental. “Right to Play” (Direito de Competir – adesivo posto em seu barco) é uma grande forma de caridade que ajuda a melhorar a vida de crianças afetadas pela guerra, pobreza e doenças, por meio do esporte e da competição. Eu viajei três vezes para a África para testemunhar em primeira mão o impacto que o “Right to Play” continua a ter no mundo da juventude desfavorecida, e isto tem sido fantasticamente positivo. “Right to Play” está fazendo uma grande diferença para essas crianças, e eu estou entusiasmado em ser uma pequena parte deste movimento.
 
Você é graduado na Universidade McMaster com o bachalerado em Cinesiologia. O quê isto acarreta?
Cinesiologia é uma bonita palavra para Educação Física, ou aula de academia. Eu estudei o exercício fisiológico, biomecânico, anatomia e a sociologia do esporte. Eu planejo estar envolvido com esporte por toda minha vida, então acho que isto será utilizado onde quer que eu foque minha energia.
 
Tendo vencido sua eliminatória em Londres e sua semifinal, houve um momento definitivo em sua prova, quando você sente que se tivesse feito algo diferente o resultado poderia ter sido outro?
Eirik e eu temos nos enfrentado por mais de uma década e eu sei o quão forte ele é. Eu nunca perdi o respeito por sua habilidade por retornar do fim de uma dura prova. Mas minha força está num ritmo forte, quando tenho minhas melhores provas, eu lidero na frente e termino forte. Eu não acho que tive uma chegada ruim em Londres, eu não morri no final, mas Eirik provou ter um pouquinho mais de gasolina no tanque. Nós tivemos inúmeras grandes batalhas, todos nós no caiaque masculino. Eu estava tão feliz em estar no pódio com tantos incríveis e rápidos caras que buscavam estar lá. Obviamente que toda vez que começo uma prova eu tento vencer, mas quando eu sei que fiz tudo, que treinei, eu fico satisfeito. Estou muito orgulhoso de fazer parte desta fraternidade do caiaque masculino. Nós temos a integridade, respeito e a camaradagem que não tenho certeza que outros esportes também possuem. Estamos constantemente elevando o nível, e ficamos orgulhosos com nossos compatriotas quando os vemos bem sucedidos. É uma honra remar com esses caras.
 
Por ser um constante assunto hoje em dia, qual é sua opinião sobre a categoria canoa feminina, particularmente desde que sua colega de time Laurence Vicent-Lapointe tornou-se campeã mundial no C1 200m, mas não competiu nos Jogos Olímpicos?
Eu acho que a canoa feminina deve definitivamente fazer parte do programa olímpico. Além de qualquer nova categoria, eu não acho que deva ser recolocada sobre qualquer evento, deve ser adicionada como uma nova categoria, talvez como exibição nos primeiros jogos. Eu não acho que todo esporte mereça um lugar na programação olímpica, não há direito a isso. Qualquer esporte precisa provar primeiramente seu nível mundial antes de ser adicionado. Eu acho que a canoa feminina está crescendo, e continuará a fazer isso. Nós veremos essas atletas muito em breve nas Olimpíadas, e espero ver as provas de 500m novamente, sem a exclusão de qualquer outra prova atual. Nós precisamos lutar pelo crescimento do esporte. Ele precisa crescer na Copa do Mundo e no Mundial também, pois temos muito trabalho a fazer, no barco e fora dele.
 
Agora são outros quatro anos até o Rio, quais seus objetivos?
Eu sempre tenho o mesmo objetivo. Simples. Remar o mais rápido que eu posso.
 
 
Fonte: Planet Canoe 2013, páginas 16 e 17
 
 
É com muito prazer que ao longo do ano a Confederação Brasileira de Canoagem divulgará os textos traduzidos para o português da revista Planet Canoe 2013, publicação oficial e anual da Federação Internacional de Canoagem.
 
Link da versão digital site FIC (em breve edição 2013)

http://www.canoeicf.com/icf/Media/Canoe-Magazine.html









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