Notícia
10/12/2013 14:15
Desempenho brasileiro na canoagem em 2013 anima treinador espanhol Jesús Morlán
Sob seu comando, Brasil conquistou resultados inéditos no Campeonato Mundial, em outubro
Contratado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) em abril passado, o treinador espanhol Jesús Morlán chega ao fim de sua primeira temporada à frente da Seleção Brasileira de Canoagem Velocidade (canoa) com resultados expressivos e boas perspectivas. Em visita à sede do COB, Morlán reuniu-se com a área de esportes da entidade, avaliou o trabalho de 2013 e iniciou o planejamento para o restante do ciclo olímpico até 2016. A contratação de Morlán, um dos mais vitoriosos treinadores do mundo na modalidade, faz parte do planejamento conjunto do COB e da Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa) para elevar ainda mais o patamar do esporte em busca de uma inédita medalha nos Jogos Olímpicos Rio 2016.
 
Até 2013, Morlán, que treinava, entre outros, o atleta David Cal, maior medalhista olímpico da história da Espanha, tinha em seu currículo cinco medalhas olímpicas e dez mundiais. No Brasil, para preparar um seleto grupo de canoístas, o espanhol surpreendeu o mundo no último Campeonato Mundial, em outubro, na Alemanha, ao somar outras duas conquistas mundiais à sua galeria de prêmios. Apesar de seu objetivo principal ser os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, as duas históricas medalhas de Isaquias Queiroz na principal competição do ano (ouro no C1 500m e bronze na prova olímpica C1 1000m) e a presença em outras duas finais, com Nivalter Santos e a dupla Erlon Souza e Ronilson Oliveira, demonstram que o trabalho caminha na direção certa e traz boas expectativas para a modalidade.
 
“O primeiro ano foi melhor que o planejado porque normalmente uma temporada tem 46, 48 semanas de treinamento e, desde a minha chegada, tínhamos apenas 21 semanas disponíveis até o mundial. Tratava-se então de conhecer a equipe e fazer o possível dentro deste período”, conta Morlán que, como treinador da equipe espanhola, levou David Cal a conquistar cinco medalhas nas três últimas edições de Jogos Olímpicos (um ouro e quatro pratas). “O resultado do mundial foi muito melhor do que o esperado, até eu fiquei surpreso, os atletas se saíram muito bem.”
 
Sem o tempo ideal para a preparação dos brasileiros ao Mundial, o espanhol prontamente colocou em prática seus métodos de treinamento baseados em tomadas de tempos divididos por distâncias curtas. O novo sistema, a princípio, causou estranheza, mas não demorou para ser assimilado pelos atletas. “O método de trabalho era novo e muito diferente para eles. Utilizamos muitos dados matemáticos, nos primeiros dias, ficavam perdidos. Até que um dia, o treinamento saiu e, a partir daí, tudo fluiu. Saíam os tempos, as parciais, tudo estava certinho. Os tempos estavam muito bons e tínhamos quase certeza que ganharíamos uma medalha no mundial”, relata o treinador. “O que mais me surpreendia era o dia a dia. Eram semanas de treinamento muito duro e eles sorrindo como que não sentindo a dificuldade dos treinos. O que eu pedia, eles davam. O que eu acreditava que eles poderiam, eles faziam. Eu pensava: será que somos capazes de fazer isso? Eram. Será que aguentam? Aguentavam. Cada dia era algo mais.”
 
Logo na primeira competição sob seu comando, em junho, na 3.ª Etapa da Copa do Mundo em Poznan, Polônia, o Brasil conquistou dois ouros e duas pratas. Entretanto, a confirmação efetiva do bom trabalho veio mesmo em outubro, em Duisburg, Alemanha, quando os brasileiros impressionaram a todos com um desempenho excelente no Campeonato Mundial. “Lembro o sábado em que os brasileiros competiram em cinco regatas e ganhamos tudo. Todo mundo só falava de nós. O fim dessa história foi ver o Isaquias, um brasileiro, campeão do mundo pela primeira vez, na Alemanha, um país super entendido de canoagem. Aplaudiam muito o Isaquias, foi um pódio muito bonito, nunca esquecerei na minha vida. A equipe brasileira foi o grande destaque do Mundial. Os treinadores de todo o mundo me cumprimentaram mais pelos resultados dos brasileiros no mundial deste ano do que por todas as medalhas olímpicas que conquistei. Não tenho explicação para o que aconteceu, mas sei que eles treinaram muito e quanto mais eu pedia, mais eles davam”, recorda Morlán.
 
Os melhores do mundo
 
Jesús Morlán ressalta que, após o Mundial, os atletas brasileiros estão entre os sete melhores do mundo. Nivalter Santos, por exemplo, fez os melhores tempos das eliminatórias e semifinais do C1 200m, mas terminou em quinto na final. “O tempo de Nivalter na semifinal foi segundo tempo mais rápido da história da canoagem, isso não é pouca coisa. Não temos o melhor do mundo, mas temos o segundo melhor tempo da história e quem isso foi um brasileiro. Pouco a pouco se avança”, acredita.
 
Com tanto talento à disposição, o espanhol tem o planejamento traçado para os próximos anos do ciclo olímpico, sempre mantendo os pés no chão. “Temos que continuar trabalhando duro, como se nada tivesse acontecido. O importante é ganhar as vagas em 2015 e as medalhas em 2016. Você pode ganhar os mundiais de 2013 e 2014, mas, se a medalha não vier nos Jogos Olímpicos, você não fez nada. É isso que vale”, enfatiza. “O objetivo era salvar o ano de 2013 como pudéssemos, o que foi feito de forma muito melhor do que eu esperava. Em 2014, é fazer 4.400 km e 750 horas reais de trabalho para toda a base aeróbica, um grande volume. Os resultados do ano que vem ficam em segundo plano porque não são tão importantes quanto o trabalho. Vamos guardar tudo de 2014 para gastar em 2015, é lá que estão as vagas”, diz.
 
Na canoa, o Brasil tem vaga garantida, nos Jogos Olímpicos Rio 2016, na prova do C1 1000 m. Para as demais, os atletas precisam se qualificar.
 
Apoio
 
Morlán elogiou o suporte oferecido pelo COB e pela CBCa para o sucesso de seu trabalho em 2013. “Não posso fazer nada mais do que agradecer. Tenho conversas diárias com Jacqueline Godoy, gestora da Canoagem no COB. Eu não gosto de pedir muito, mas tudo que foi solicitado, foi prontamente atendido. O fundamental foi que estávamos treinando na represa de Guarapiranga, local com muito vento, e tivemos que nos mudar para a USP. Um esforço muito grande foi feito para levar toda a equipe para um hotel em São Paulo, onde moramos até o mundial, e isso fez a diferença. Todo o sacrifício foi recompensado pelo resultado”, comemora Morlán.
 
 
Confira o video abaixo para saber mais:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=mfMtgq_iwhk








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