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Brasil começa bem o Pan

09/03/2012


Fonte JIE (Jornal da Itaipu Eletrônico)

09/03/2012 | 16h37

 

 

 


O Brasil começou com o pé direito Campeonato Pan-Americano de Canoagem Slalom 2012, nesta sexta-feira (9), no Canal Itaipu, em Foz do Iguaçu. Das quatro categorias em disputa, o País terminou em primeiro em duas: no K1 (caiaque com um atleta) feminino, com Ana Sátila Vieira Vagas, e no K1 masculino, com Pedro Henrique Gonçalves da Silva, o Pepê. As outras categorias são C1 masculino (canoa com um atleta) e C2 masculino (canoa com dois atletas).

  

Promovido pela Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa), o Pan-Americano tem patrocínio da Itaipu Binacional e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os vencedores de cada uma das quatro categorias garantem vaga para os Jogos Olímpicos de Londres. Atletas de dez países estão em Foz para a competição, incluindo os favoritos Canadá e Estados Unidos.

   

Competição reúne atletas de 12 países - 10 deles disputam vaga para os Jogos de Londres.

  

Com apenas 15 anos de idade, Ana Sátila, que compete pela equipe APC/Primavera, do Mato Grosso, surpreendeu os favoritos e fechou a pista do Canal Itaipu com o tempo de 99,17 segundos – na sequência, aparece uma atleta do Canadá, Thea Froehlich, com 99,46 segundos.
Já Pedro Henrique Gonçalves, de 18 anos, da equipe Apen, de Piraju (SP), fechou a pista em 87,17 segundos, também à frente de um atleta do Canadá, Paul Manning-Hunter, que marcou 88,70 segundos.

  

As semifinais e as finais do K1 feminino e do C2 masculino serão neste sábado, a partir das 13h. No domingo, às 9h30, começam as semifinais e as finais das categorias K1 masculino e C1 masculino. Nos dois dias haverá transmissão ao vivo das finais, no período da tarde, pelo canal por assinatura Sportv e também pela internet (www.foz2012.org.br).

   

No centro, Ettore Ivaldi e Ana Sátila. (Foto: Iran Schleder/CBCa)  

   

“Nosso planejamento ainda está no começo, mas já conseguimos bons resultados num todo”, comemorou o treinador da seleção brasileira, o italiano Ettore Ivaldi. “Por mim, a competição terminava hoje mesmo”, brincou o superintendente da CBCa, Argos Rodrigues.

  

Segundo Rodrigues, o resultado do primeiro dia surpreendeu a equipe técnica. “Ninguém esperava que liderássemos no K1 no primeiro dia. Isso é uma grata surpresa e também um indício que nós estamos começando muito bem a preparação para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016”, afirmou.

  

Paralelamente ao Pan, a CBCa e a Federação Internacional de Canoagem promovem o Itaipu Open, valendo pontos para o ranking mundial. Além dos países que estão em Foz para brigar pela vaga olímpica, participam do Itaipu Open atletas da Espanha e da República Tcheca.

  

As muitas faces do Canal Itaipu

  

Como já é de costume em competições internacionais realizadas no Canal Itaipu, o Panamericano de Canoagem e o torneio Itaipu Open transformaram o Parque da Piracema em um verdadeiro caldeirão de culturas. Cem atletas de 12 países estão na cidade para as duas competições.

    

Para os atletas, é uma oportunidade única, não somente pela experiência esportiva, mas também cultural, pelo contato com pessoas de outros costumes e idiomas. E isso vale não apenas para os canoístas, mas também para os técnicos, amigos e familiares que acompanham de perto cada etapa e fazem torcida à beira das corredeiras. Cada um à sua maneira.

      

A dupla de tchecos Václav Hradilek, de 29 anos, é Stepán Cehnal, de 27, está na cidade há um mês. “Viemos para treinar e conhecer as corredeiras. Estamos adorando o povo brasileiro e aprendendo muito com eles, inclusive o idioma”, contou Václav.

     

O brasileiro de Piracicaba, interior de São Paulo, Rafael Souza de 18 anos está participando de seu primeiro campeonato internacional. “Podemos aprender com eles não somente as técnicas, mas o modo de vida. É uma grande lição”, disse.

     

Irmãs binacionais

      

As irmãs Ana Paula e Amélia: uma é brasileira e a outra, paraguaia.

     

Essa troca de culturas ocorre também em uma mesma família. Ana Paula Fernandes, de 16 anos, é brasileira e integrante do Projeto Meninos do Lago, da Itaipu. Como ainda não pode competir, auxilia na arbitragem. Inclusive, marca os erros da própria irmã, Amélia Fernandes, que disputa pelo Paraguai.

    

Amélia é filha de brasileiros, mas como nasceu no país vizinho, é paraguaia. “Sou a única a competir pelo Paraguai. Todas as outras equipes têm pelo menos cinco atletas. Eu sou sozinha”, explicou Amélia. Mesmo assim, a jovem está otimista. “Minha concorrente virou o barco hoje, se ela virar novamente, a vaga já é minha”, comentou. 

     

Gustavo Damazio (foto), de 17 anos, era um Menino do Lago até dezembro, mas como infringiu uma das principais regras do projeto (reprovou na escola) foi suspenso por seis meses e só poderá voltar a enfrentar as corredeiras se, no boletim, só tiver notas azuis. “Não só perdi o que tanto gostava de fazer, como uma bolsa de R$ 500. Estou muito arrependido e, agora, passo todo o tempo estudando”, contou.

     

Gustavo é o primeiro no Ranking Nacional na categoria Canoa Individual (C1) e terceiro na C2 – Canoa Dupla. Mesmo fora das competições, o garoto não pretende perder o vínculo com o esporte que aprendeu a amar. Ele se prontificou a ser um dos árbitros do campeonato. “Não conseguiríamos sediar uma disputa como essa sem os adolescentes. Dos 100, 27 estão trabalhando em todos os setores”, explicou Argos Rodrigues, Superintendente da Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa).

    

  

     

Julia e Juliana: experiência em torneio internacional.

     

As gêmeas Julia e Juliana Santos de Lima são canoístas que ainda não têm condições de disputar um torneio internacional, como o Pan. Por isso, a função delas é ajudar na distribuição de água para os atletas e técnicos. “É uma disputa internacional e é muito bom que estamos aqui”, comemorou Julia.

     

Para a coordenadora do Programa de Proteção à Criança e ao Adolescente (PPCA), Mirtha Baez, a lição da solidariedade e disciplina vale mais que medalhas. “Não queremos atletas de ouro apenas nas corredeiras, mas na vida. Para que se tornem adultos responsáveis”, completou.

     

Segundo ela, a dedicação de Gustavo em estudar, tirar notas boas para voltar aos treinos é um exemplo desta disciplina. 

Admin | Projeto Meninos do Lago | Desenvolvimento Carlos Henrique