Notícia
23/03/2021 09:30
Canoístas paranaenses realizam trajeto de mais de 500 km em mar aberto
A dupla remou entre Matinhos, PR e Ilha Bela, SP, em uma aventura de três semanas. Os dois frequentam a Escola de Canoagem e Remo, no Lago Igapó, em Londrina, remavam e competiam na modalidade Caiaque Polo

Entre os dias 25 de janeiro e 13 de fevereiro desse ano, os canoístas Matheus Ramos Navarro e Arthur Aguiar Bernardes, ambos de Londrina no Paraná, desafiaram o mar, a natureza e seus próprios limites em uma travessia de mais de 500 km, entre Matinhos, no litoral paranaense, e o município-arquipélago de Ilha Bela, em São Paulo, a bordo de um caiaque oceânico. 
 
A iniciativa da aventura partiu de Arthur. “No início de 2020, estava em Itapoá, Santa Catarina, na casa de um tio que tem um caiaque de pesca. Tive a ideia de remar até São Francisco do Sul” conta o canoísta, que depois da travessia de pouco mais de 16 km, sentiu vontade de desafiar-se e chamar o amigo Matheus para essa aventura.
 
O início no esporte 
 
Os dois frequentam a Escola de Canoagem e Remo, no Lago Igapó, em Londrina, remavam e competiam na modalidade Caiaque Polo. O caiaque oceânico, usado na travessia, foi emprestado da instituição. 
 
Arthur rema desde 2016 e lembra: "Eu ia muito no lago e via o pessoal praticando remo e canoagem, o que me interessou muito. Comecei a praticar o remo, olhar o caiaque com outros olhos e passei a competir no Caiaque Polo”.
 
A incursão de Matheus é mais recente. Ele começou na canoagem em 2019, sem pretensões. “Estava indo para remar e pendendo para a Canoagem de Velocidade, até que fiz um curso de Canoagem em Águas Brancas (como é chamada a navegação em águas bravas), o que me interessou muito".
 
O desafio
 
Os preparativos para o desafio duraram um mês, envolvendo um estudo logístico da travessia até os treinos, passando por aprendizados de primeiros socorros e técnicas de segurança. "Muita gente, até mesmo da canoagem, disse que era loucura e muito arriscado, mas acho que isso prova que precisamos nos preparar, sair da nossa zona de conforto e buscar esses objetivos" conta Arthur. 
 
Os desafios começaram antes mesmo de chegarem ao mar. Chegaram à Matinhos em 18 de janeiro e uma frente fria atrasou o início da viagem até o dia 25 de janeiro. Tratava-se de um ciclone extratropical com característica explosiva, que se formou próximo à fronteira do Brasil com o Uruguai, no sudeste do Rio Grande do Sul. O fenômeno, conhecido como "ciclone bomba", é raro no verão. 
 
A Marinha emitiu alerta para a força do vento, que chegou à 80 km por hora no Rio Grande do Sul, e para ressaca do mar no litoral de todo o Sul do País. Durante este período de espera, a dupla colhia informação com pessoas que já conheciam as marés da região. "Todo dia estávamos em frente ao mar, conversando com pescadores, surfistas e bombeiros. O maior desafio é conseguir uma janela meteorológica que permita remar de forma segura. Acho que essa é a parte difícil de entender, que a natureza é um sistema completamente interligado” explica Arthur. 
 
Ao todo, foram três semanas passando por ilhas, mangues e praias desertas. "A aventura tem esse ar de suspense, de acontecer coisas que estavam fora do script. No primeiro dia, viramos o barco em uma barra, mas conseguimos conduzir até a areia, esvaziamos ele e seguimos viagem. Quebramos um remo e ficamos um dia parados para ir à outra cidade comprar um novo” lembra Arthur. 
 
Outra dificuldade encontrada pelos atletas de Caiaque Polo foram as ondas, no momento de entrar e sair do mar. “É muito diferente de remar em águas abrigadas de lago. Há uma outra dinâmica, pois há movimento e alterações a partir do clima e do vento. É preciso estar sintonizado com o ambiente.” diz Matheus. “Quando estamos em dupla no barco, fica ainda mais difícil fazer o movimento correto e síncrono” complementa Arthur. 
 
Um novo olhar do litoral 
 
Arthur ressalta que a oportunidade lhe mostrou o litoral em uma nova perspectiva. “Passamos em uma velocidade que nos possibilita apreciar tudo, de uma forma que não estamos produzindo nenhum impacto ecológico. O caiaque não imite gás, fumaça ou som. Tem cantos que só um barco pode te levar”. 
 
 
Matheus avalia a aventura: "Foi muito legal ver que testamos nossos limites, que tivemos a capacidade e habilidade para administrar essa viagem e fazê-la acontecer".
 
“Fomos recepcionados por muita gente. Pessoas que não conhecíamos e que nos davam os parabéns. Ao mesmo tempo, dava uma sensação de ´quero mais’, que aquela não era a primeira e última, mas sim a primeira de muitas” pontua Arthur.
 
De Londrina ao mar
 
Agora, a dupla vislumbra novas aventuras, entre elas, a travessia Rio-Santos, no litoral fluminense. Outro trajeto seria, pedalar de Londrina até Florianópolis, Santa Catarina, e de lá, remar até a Ilha do Mel, no litoral do Paraná. No entanto, o desafio mais ambicioso é o “Londrina ao mar”. "Sairíamos pelo Rio Tibagi, no Norte do Paraná, até o Rio Paranapanema, e de lá, à foz do Rio Paraná, conhecido como Rio da Prata, entre Argentina e Uruguai" explica Arthur. 
 
Ao todo, os canoístas remariam por quatro países: Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina, totalizando 2400 km de navegação. "Para isso precisamos de patrocínio e de uma estrutura muito maior” pondera Matheus, que calcula que o desafio levaria entre dois e três meses para ser concluído.












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