Notícia
24/07/2019 03:07
Atletas da paracanoagem de Foz recebem visita de Paola Antonini
A modelo é exemplo de superação, hoje, aos 25 anos, Paola fala com tranquilidade sobre o acidente automobilístico que sofreu em 2014. A situação que poderia ser gatilho para uma depressão, como ela diz, serviu para enxergar o mundo de uma maneira diferente.

TEXTO E FOTO: Itaipu Binacional


Na última terça-feira (23), os atletas da paracanoagem do Instituto Meninos do Lago (Imel), iniciativa que recebe o apoio da Itaipu Binacional por meio da Divisão de Educação Ambiental, receberam durante o treino a visita da modelo Paola Antonini, que utiliza uma prótese mecânica no lugar da perna esquerda. Ela veio a convite do namorado Pedro Gonçalves, o Pepê, canoísta que treina no Canal Itaipu. Assim como os atletas do projeto, ela encontrou no esporte uma ferramenta para aceitação e iniciou um novo estilo de vida.
 
Hoje, aos 25 anos, Paola fala com tranquilidade sobre o acidente automobilístico que sofreu em 2014. A situação que poderia ser gatilho para uma depressão, como ela diz, serviu para enxergar o mundo de uma maneira diferente. Além de modelo e atleta amadora, ela também é influenciadora digital (com mais de 2,6 milhões de seguidores no Instagram), além de youtubercolunista em uma revista de moda e apresentadora de TV.
 
“Um projeto como esse aqui na Itaipu é essencial. Sabemos que após a pessoa sofrer um acidente, ou até mesmo nascer com alguma deficiência, é necessário que ela tenha um apoio para se desenvolver, e o esporte pode ser o responsável por abrir portas para uma nova vida", afirmou. "Aqui no Meninos do Lago, essas pessoas estão sendo inseridas em um esporte tão lindo, praticado ao ar livre, que faz bem para o corpo e, principalmente, para a mente."
 
Uma nova vida
Um dos fatores que ajudaram Paola a encarar essa nova vida foi a aceitação de sua condição, além do entendimento de que uma prótese não iria impedi-la de realizar seus objetivos.
“Eu sempre gostei de atividades físicas. Após meu acidente, decidi viver ao máximo cada dia da minha vida, tentar coisas novas. E o esporte veio junto com tudo isso. Quando me falavam que algo iria ser difícil, eu ficava ainda mais motivada a conseguir. Então, todas as minhas ações são voltadas para fazer com que as pessoas não tenham medo de viver a vida”.
 
Fonte de inspiração
A visita e a história de Paola deram um novo gás para os treinos da equipe nesta terça-feira (23), conta o fisioterapeuta Guto Mazine, coordenador do projeto de paracanoagem. A nova modalidade esportiva do Imel começou em abril e já tem 16 atletas - dois deles já inscritos na Confederação Brasileira de Canoagem.
Um deles é o Waner Xavier. Quando tinha 24 anos, uma bala perdida o deixou paraplégico. Mas ele também não quis se acomodar e decidiu se tornar um atleta. Aos 33, já praticou basquete adaptado em cadeira de rodas e, há pouco mais de um ano, decidiu rumar para a paracanoagem. Remando, ele chegou ao Campeonato Brasileiro de Paracanoagem, disputado em Curitiba, no ano passado.
 
“Eu me encontrei de verdade na canoagem. Enquanto remo, sinto uma sensação de liberdade muito boa. O campeonato em Curitiba foi ótimo para conhecer melhor a modalidade, entender o barco e, com os treinos aqui, sinto que podemos conseguir novas marcas”, relata Waner.
 
Outra integrante do projeto, a atleta Alini Barth, conta que vê Paola como um símbolo de autoestima. Com 27 anos, Alini tem na canoagem sua primeira experiência com o esporte desde a lesão medular, causada por um acidente há dez anos.
“Eu conheci o Guto há um ano e começamos a praticar a canoagem em um pesque e pague de Santa Terezinha. Foi o meu primeiro contato com o remo e, logo de cara, já me apaixonei. Aqui eu me sinto livre, me distraio, faço exercícios e, assim como a Paola, me supero todos os dias. Quero continuar treinando bastante e realizar meu sonho de competir entre os profissionais”, conta Alini.
 
Paracanoagem Imel 
Segundo Guto Mazine, o principal foco do projeto é, justamente, a recuperação da autoestima dos integrantes. “Nesses primeiros meses estamos em fase de adaptação. Nós queremos tirar essa galera de casa, trazer para a água e fazer a inclusão do paradesporto na região”, ressalta.
Por enquanto o projeto atende apenas atletas maiores de 18 anos. O próximo passo é ampliar a oferta de vagas para adolescentes a partir dos 14 anos. “Não queremos apenas formar atletas para competições, mas sim, torná-los independentes e confiantes, ou seja, quanto mais novos eles começarem, melhores serão os resultados. Eu vejo que eles estão se apaixonando pelo esporte e, em um futuro não muito distante, teremos um grupo ainda mais forte e preparado”.

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