Notícia
14/07/2022 06:07
A importância dos canais semiartificiais de Tibagi e Tomazina para a Canoagem Brasileira
Agora a Canoagem Slalom conta com cinco grandes estruturas no país para o esporte, um legado que ajudará a formar a nova base do esporte.

Foto: CBCa


O Brasil entrou nesta década com dois canais totalmente artificiais para a prática de Canoagem Slalom, um em Foz do Iguaçu no Paraná, construído no início dos anos 2000 para os Jogos Mundiais da Natureza, e o outro no Rio de Janeiro que se tornou um legado dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Mas ambos têm suas peculiaridades, o Canal Itaipu na Terra das Cataratas depende do nível de água no reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaipu, que nos últimos anos por causa das fortes estiagens trabalhou com o seu nível mínimo, abaixo da entrada da tomada d’agua do canal.
 
Já o Canal Rio no Rio de Janeiro é movimentado por bombas, graças a uma parceria com a Prefeitura Municipal é possível custear a manutenção e o pagamento mensal dos custos do local. Antes mesmo desses dois aparelhos esportivos, na década de 90 foi construído a pista semiartificial em Três Coroas no Rio Grande do Sul, preparada na época para o Mundial realizado em 1997.
 
Somando assim, três grandes estruturas, mas era necessário buscar uma alternativa extremamente barata e viável para o aproveitamento dos leitos dos rios já existentes em todo o Brasil, para adequá-los à prática desportiva de forma segura e produtiva, com o devido aval do meio ambiente. Com isso surgiu dois projetos simultâneos em uma região tradicional na modalidade nos municípios de Tibagi e Tomazina no Paraná.
 
“As duas pistas foram feitas utilizando gabiões como contenção das laterais do canal (paredes laterais). Os canais de gabiões são muito comuns na engenharia, porém eu nunca havia visto uma pista de canoagem ter seu corpo principal feito de gabiões. Mas como se trata de um material flexível (adaptável no leito natural do rio), não poluente, não permanente (se for o caso pode ser removido) e com uma característica física que acaba sendo absorvida pelo meio ambiente o "gabião" foi nosso grande aliado nesses projetos”, comenta Leandro Schena Rodrigues, engenheiro responsável pelos projetos.
 
A elaboração dos projetos e a captação de recursos teve início em 2018 através de uma emenda parlamentar do ex-deputado João Arruda, que fez a articulação na época com então presidente da CBCa, João Tomasini Schwertner. Também foi necessário buscar o apoio do então Ministro do Esporte. Já em 2021 depois de vários trâmites e liberações ambientais, o projeto finalmente começou a ser executado com o apoio das Prefeituras locais, Tibagi e também Tomazina.
 
“Em Tomazina o volume de pedras foi o mesmo de gabiões. Em Tibagi tivemos que utilizar mais 1.635,00 toneladas de pedras detonadas para corrigir grandes depressões no leito natural do rio. Nas duas obras houve contrapartida do município, executando serviços extra com maquinários e materiais não previstos, porém necessários”, afirma Leandro.
As pistas têm aproximadamente 250 metros cada. Os canais possuem alguns intervalos e aberturas com medidas variadas. Em Tibagi foram utilizados 809m3 de gabiões e em Tomazina um total de 355m3. Como se trata de um material flexível (adaptável no leito natural do rio), não poluente, não permanente (se for o caso pode ser removido) e com uma característica física que acaba sendo absorvida pelo meio ambiente o "gabião" é um grande aliado nesses projetos.               
 
Como a Cidade de Tibagi, por ser parceira da Confederação Brasileira de Canoagem há muitos anos, abrigando, inclusive, a primeira Equipe Permanente de Canoagem Slalom, durante o período de 2002 a 2006, além de possuir as características específicas que se buscava, não foi difícil a definição do local a ser indicado para a construção de uma pista simples com paredes de gabiões de fácil montagem e sem muitas ingerências ambientais para facilitar a aprovação sempre muito reticente do IBAMA.
 
“Eu estou muito feliz por esses novos aparelhos esportivos, principalmente nessa região que respira a Canoagem, a cidade de Tibagi já foi a casa da nossa seleção brasileira nos anos 2000, que foi sede da primeira etapa de Copa do Mundo realizada no Brasil, cidade que sempre foi celeiro de grandes atletas o mesmo acontece com Tomazina que revelou vários talentos. Além da questão esportiva, tem a questão ambiental muito bem pensada, essa estratégia pode ser adotada em outras partes do Brasil”, comenta Rafael Girotto, presidente da CBCa.
 
A construção do canal exigiu uma licença ambiental, por isso, foram solicitados vários estudos complementares para demonstrar como realmente seriam as obras e assim comprovar viabilidade técnica e ambiental. Este processo demorou aproximadamente 5 anos, e no caso de Tibagi, foi construída uma barragem poucos quilômetros rio acima, que causou grande impacto no volume de água do trecho onde foi implantado o canal, sendo necessárias adaptações para viabilizar a obra.
 
O Prefeito de Tibagi, Artur Butina, agradeceu primeiro a Deus pelo Rio Tibagi que dá nome só município e por todas as belezas naturais que fizeram a cidade receber o título de capital paranaense do esporte de aventura. A ideia do novo canal de canoagem é transformar Tibagi em um polo para o recebimento de atletas e isso irá gerar emprego e renda para vários tibagianos, fala.
 
Agora a Canoagem Slalom conta com cinco grandes pistas para o seu desenvolvimento esportivo, o legado estrutural que dará boas condições para o desenvolvimento da nova base da Canoagem Brasileira visando o futuro do esporte.









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